Jornalista Paulo Panayotis em St. TropezNada de trânsito, ruas lotadas ou bares cheios. Saint-Tropez, tão conhecida pelo glamour, pelas celebridades e pelo verão efervescente, ganha outra personalidade quando a alta temporada termina. O sol continua aparecendo entre as nuvens, o azul do Mediterrâneo permanece quase inacreditável e o frio, quando chega, é mais um convite para caminhar pela orla do que um impedimento. Há dias em que basta uma jaqueta leve, um bom par de sapatos e disposição para andar sem destino.
Foi assim que chegamos à charmosa Villa Cosy Hôtel & Spa, em Saint-Tropez. Escondida em meio ao verde e próxima à Place des Lices, esta maison privée tem ares de casa particular. Não é apenas a arquitetura, o jardim ou a atmosfera intimista: é a sensação de que, ali, ninguém tem pressa e o silêncio é um privilégio. 
Hotel Villa Cozy
Além de quartos e apartamentos com infraestrutura completa para casais ou famílias, este charmoso hotel boutique tem Spa by Sothys, com hammam, sauna, salas para tratamentos personalizados, piscina aquecida e jacuzzi ao ar livre. E há um detalhe particularmente curioso: uma adega subterrânea, logo na recepção, guarda vinhos produzidos pelos próprios proprietários, em pequena escala.

Jornalista Adriana Reis na recepção do Hotel Villa Cozy que possui uma adega exclusiva
Para começar o dia, esqueça os buffets. O café da manhã aqui é servido à la carte. Se preferir, pode pedir na sua acomodação. E o detalhe é que não há correria: você pode tomar café na hora que quiser.

Jacuzzi ao ar livre do Hotel Villa Cozy
Saímos pelas ruas de Saint-Tropez e encontramos uma cidade menos preocupada em impressionar e mais interessada em existir. A conhecida feirinha, o Marché de la Place des Lices, era, naquele dia, um verdadeiro ponto de reencontro de amigos e conversas tranquilas, enquanto moradores compravam frutas frescas e olhavam peças de roupa de design. Da Place des Lices caminhamos até o Vieux Port, com seus barcos, cafés e fachadas coloridas, parando para entrar nas lojas, atravessando as ruelas e curtindo o clima de cidade pequena.
De lá, fomos ao Museu da Anunciação (Musée de l’Annonciade). Instalado em uma antiga capela do século XVI, bem perto do porto, o espaço guarda uma coleção que ajuda a entender por que a vila se tornou um ponto de encontro tão importante para a arte moderna.

Jornalista Paulo Panayotis no Museu da Anunciação em St. Tropez
Com obras de artistas como Paul Signac, Matisse, Derain, Braque, Modigliani e Bonnard, o museu é pequeno e fácil de visitar.Vale lembrar que Signac chegou à vila em 1892 e acabou atraindo outros pintores, que encontraram ali luz e paisagens capazes de inspirar grandes obras de arte.

Obra de arte no Museu da Anunciação em St. Tropez
Hora de ver a cidade do alto. A Citadelle, construída no início do século XVII, está debruçada sobre o porto e o Mediterrâneo e oferece uma das vistas mais bonitas da região.
Outra agradável surpresa foi Sainte-Maxime. No inverno, a cidade revela um ritmo mais tranquilo, perfeito para flanar pela Promenade Simon-Lorière, conhecer o centro histórico, passar pelo porto e subir até o Sémaphore para apreciar a vista panorâmica da baía de Saint-Tropez.

Jornalista Adriana Reis em St. Maxime
Também vale conhecer a Tour Carrée, o Jardin Botanique des Myrtes e seguir até a Plage de la Nartelle, que, fora da temporada, é pura tranquilidade.

Jornalista Paulo Panayotis em St. Maxime
Do outro lado da baía, Saint-Tropez aparece no horizonte, lembrando que, mesmo longe do agito do verão, esta região da Riviera Francesa continua cheia de paisagens que merecem ser descobertas.Claro que as praias ficaram de fora desta viagem. Na realidade, elas deram lugar ao turismo mais contemplativo de paisagens, ruelas, restaurantes charmosos e outra definição de tempo de qualidade.

Vinhos produzidos e comercializados na capela de Santa Roselina
Seguimos depois em direção a Draguignan e outros vilarejos do interior da região do Var, redescobrindo uma França que raramente aparece nos roteiros apressados de quem chega à Riviera em busca apenas do mar. Lorgues, Flayosc e Tourtour são pequenas localidades encantadoras que mostram que existe uma Provence inteira entre os Alpes e o Mediterrâneo, feita de mercados, vinhedos, igrejas, pequenas praças, restaurantes familiares e estradas. Em meio a tantas opções escolhemos conhecer perto de Les Arcs-sur-Argens, a Capela de Santa Roselina (Chapelle Sainte-Roseline), que une arte, religião e vinicultura.

Entrada principal do complexo onde está a capela de Santa Roselina
A capela integra o roteiro dos mosteiros da região do Var. O local guarda relíquias de Santa Roseline e reúne obras de artistas importantes, entre elas um mosaico de Marc Chagall, além de trabalhos associados a Giacometti, Bazaine e Ubac.

Jornalista Paulo Panayotis no complexo onde está a capela de Santa Roselina
Para encerrar essas experiências fora dos roteiros tradicionais, visitamos a Abadia do Thoronet (Abbaye du Thoronet). Construída no final do século XII, a abadia cisterciense é uma das chamadas “três irmãs da Provence”, ao lado das abadias de Sénanque e Silvacane.

Jornalista Adriana Reis no complexo onde está a Abadia de Thoronet
O sul da França no inverno é um convite para desacelerar, contemplar a natureza, se perder nas ruelas, provar delícias locais e conhecer lugares fora do circuito tradicional, cheios de cultura, gastronomia, história, arte sem multidões. É também uma oportunidade de deixar a pressa de lado e se perder no tempo. Um verdadeiro luxo nos tempos atuais...
2026
